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TRE-AC completa 51 anos com uma história marcada por democracia, inovação e serviço ao cidadão

Da organização das primeiras eleições à criação de soluções adotadas em todo o país, Tribunal acompanha a transformação do voto e mantém, há mais de cinco décadas, o compromisso de fazer a democracia chegar a cada eleitor acreano

Da organização das primeiras eleições à criação de soluções adotadas em todo o país, Tribunal ac...

Há 51 anos, o Acre ganhava uma instituição que passaria a acompanhar alguns dos momentos mais importantes de sua história política. Em 11 de agosto de 1975, era instalado o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), tendo o desembargador Carlos Alves Cravo como seu primeiro presidente. Desde então, eleições, gerações de eleitores e profundas transformações tecnológicas atravessaram essas cinco décadas. Uma missão, porém, permaneceu: assegurar que a vontade manifestada nas urnas seja respeitada.

Nesta terça-feira, 11 de agosto, o TRE-AC celebra 51 anos de serviços prestados à sociedade acreana. Este aniversário ajuda a contar a própria evolução da democracia no estado — uma história construída por magistrados, servidores, colaboradores e por milhares de cidadãos que, eleição após eleição, exercem o direito de escolher seus representantes.

A trajetória acreana faz parte de uma história iniciada no país em 24 de fevereiro de 1932, com a criação da Justiça Eleitoral. Extinta durante o Estado Novo, em 1937, a instituição foi restabelecida em 28 de maio de 1945.

Antes da instalação do TRE-AC, as eleições no Acre eram organizadas pelo Tribunal Eleitoral do Distrito Federal. Em 1962, quando o estado realizou sua primeira eleição para cargos como governador e senador, o processo ainda foi coordenado por juízes vindos do Distrito Federal.

A criação de um Tribunal Regional Eleitoral próprio representaria, anos depois, mais um passo na consolidação institucional e política do Acre.

Uma Justiça Eleitoral que cresceu com o Acre

Em 1978, o estado possuía sete zonas eleitorais e 92.795 eleitores. À medida que a população e o eleitorado cresceram, a estrutura da Justiça Eleitoral também avançou. Em 1988, foi criada a 8ª Zona Eleitoral e, em 1997, foram instaladas a 9ª e a 10ª zonas.

Hoje, o Acre possui nove zonas eleitorais responsáveis pelo atendimento de 614.631 eleitoras e eleitores. Na capital, o Fórum Eleitoral reúne a 1ª e a 9ª zonas, enquanto cartórios e postos eleitorais garantem que os serviços da Justiça Eleitoral alcancem os demais municípios.

Essa presença ganha uma dimensão particular em um estado como o Acre. Fazer uma eleição acontecer significa muito mais do que instalar urnas. Significa planejar rotas, superar distâncias e assegurar que o voto chegue também às comunidades mais afastadas.

É nesse trabalho, muitas vezes distante dos olhos do público, que a democracia deixa de ser apenas um princípio e se transforma em realidade.

Da urna ao celular

Se a missão permaneceu, os instrumentos mudaram profundamente.

As urnas de madeira deram lugar às urnas de lona. Depois vieram os computadores, os sistemas eletrônicos e uma transformação definitiva na maneira de votar e apurar os resultados.

Em 1998, Rio Branco utilizou a urna eletrônica nas eleições, inaugurando no estado uma nova etapa do processo eleitoral. Hoje, no ano em que o TRE-AC completa 51 anos, a Justiça Eleitoral também celebra os 30 anos da urna eletrônica, tecnologia que redefiniu a votação e a apuração no Brasil e tornou possível conhecer os resultados poucas horas depois do encerramento da votação.

A dimensão dessa transformação pôde ser observada nas Eleições Municipais de 2024, consideradas o maior pleito informatizado do mundo. Mais de 155 milhões de eleitoras e eleitores estavam aptos a votar em todo o país. No Acre, eram mais de 612 mil.

Por trás dos números está uma gigantesca estrutura humana e tecnológica, mobilizada para que milhões de escolhas individuais possam ser registradas, contabilizadas e transformadas no resultado das urnas.

Mas, no Acre, a tecnologia não foi apenas incorporada. Em diferentes momentos, ela também foi criada.

Do Acre para milhões de brasileiros

Uma das inovações mais conhecidas da Justiça Eleitoral brasileira começou com uma ideia dentro do TRE acreano. Em 2017, a então secretária de Tecnologia da Informação do Tribunal, Rosana Magalhães, imaginou uma maneira de colocar as informações eleitorais na palma da mão do cidadão. Nascia a proposta que daria origem ao e-Título.

A ideia inicialmente concebida no Acre ganhou dimensão nacional, foi desenvolvida em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e se transformou em uma das principais ferramentas digitais da Justiça Eleitoral.

Hoje, o aplicativo é a versão digital do título de eleitor e, por meio dele, é possível consultar o local de votação, emitir certidões, acessar informações sobre débitos eleitorais, obter declaração de trabalhos eleitorais e utilizar diferentes serviços. Mais de 60 milhões de brasileiras e brasileiros já baixaram o aplicativo. No Acre, cerca de 215 mil eleitores utilizam a ferramenta. 

E a vocação para inovar não parou ali.

O TRE-AC também esteve na origem do Boletim na Mão, aplicativo que permite ler o QR Code impresso no boletim de urna ao final da votação. A ferramenta possibilita que qualquer cidadão visualize em seu celular ou tablet uma cópia digital do resultado daquela urna, ampliando o acesso às informações e a transparência do processo eleitoral.

Mais recentemente, outra solução desenvolvida no Acre passou a despertar a atenção da Justiça Eleitoral em todo o país. Criado pelo secretário de Tecnologia da Informação do TRE-AC, Edcley Firmino, o BioZap identifica eleitores sem biometria cadastrada e permite o envio de mensagens orientando essas pessoas a procurar a Justiça Eleitoral para regularizar a situação.

São ferramentas diferentes, criadas em momentos distintos, mas unidas por uma mesma lógica: utilizar a tecnologia para aproximar a Justiça Eleitoral do cidadão.

“Há algo que permanece igual desde o primeiro dia”

Para a presidente do TRE-AC, desembargadora Waldirene Cordeiro, as transformações ocorridas ao longo dessas cinco décadas mostram uma instituição capaz de acompanhar seu tempo sem perder de vista sua razão de existir.

“Ao longo desses 51 anos, a Justiça Eleitoral mudou, evoluiu e se modernizou. Mas há algo que permanece igual desde o primeiro dia: o compromisso de servir às pessoas. E é por isso que continuaremos trabalhando para que cada acreano tenha a certeza de que sua voz importa e que a democracia sempre encontrará um caminho para chegar até ele”, afirma.

O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Lois Arruda, também destaca que a tecnologia transformou profundamente a Justiça Eleitoral, mas não substituiu o elemento humano que sustenta a instituição.

“Durante todo esse período, a Justiça Eleitoral experimentou um processo de modernização extraordinário. Mas, em meio a toda essa mudança tecnológica, há algo que nunca mudou: o compromisso dos seus servidores e magistrados em atender com eficiência e qualidade o eleitor acreano e, assim, permitir que a democracia se aprimore”, ressalta.

Uma história que continua a cada eleição

Cinquenta e um anos depois de sua instalação, o TRE-AC chega a 2026 diante de mais uma eleição geral e de novos desafios. Mudaram as urnas, os sistemas, os meios de comunicação e a própria forma como o cidadão se relaciona com a Justiça Eleitoral.

Mas nenhuma tecnologia realiza uma eleição sozinha.

Por trás de cada sistema desenvolvido, de cada urna preparada, de cada atendimento prestado e de cada seção eleitoral que abre suas portas no dia da votação existem pessoas trabalhando para que outras pessoas possam exercer um direito.

É essa rede que, há mais de cinco décadas, transforma planejamento em eleição, tecnologia em transparência e votos individuais em uma decisão coletiva.

A história iniciada em 11 de agosto de 1975, portanto, não está apenas nos arquivos do Tribunal ou nas antigas urnas preservadas pela memória institucional. Ela continua sendo escrita em cada eleição realizada, em cada inovação desenvolvida e em cada cidadã e cidadão que encontra na Justiça Eleitoral a garantia de que sua escolha será respeitada.

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