TRE-AC realiza mais de 200 atendimentos a povos indígenas em Manoel Urbano
Ação itinerante do TRE-AC garantiu emissão e atualização de títulos eleitorais e destacou a inclusão da etnia no cadastro eleitoral

Entre os dias 3 e 6 de março, a Justiça Eleitoral realizou mais de 200 atendimentos a povos originários no município de Manoel Urbano, em uma ação itinerante que levou serviços eleitorais diretamente à comunidade indígena da região. A iniciativa reafirma o compromisso do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) de garantir acesso à cidadania em todos os territórios do estado, inclusive nas áreas mais distantes.
A equipe da Justiça Eleitoral realizou os atendimentos no barco do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Purus – Polo Base de Manoel Urbano, vinculado à Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), da União. A estrutura permitiu atender as comunidades das aldeias Apuí, Santa Júlia, Boaçu, Bela Vista, Santa Amaro, Ipiranga Velho, Maloca dentro Chandres, Ipiranga Nova e Boca de Chandres, que reúnem comunidades da etnia Kulina Madijá.
Durante a ação, foram realizados serviços como emissão da primeira via do título de eleitor, atualização cadastral, transferência de domicílio eleitoral e regularização de pendências. A maior procura, no entanto, foi pela inclusão da etnia no cadastro eleitoral — um dado que passou a ser registrado recentemente e que representa um importante reconhecimento da identidade dos povos originários.
Um gesto aparentemente simples, mas carregado de significado para pessoas e comunidades que estão diretamente ligadas à formação histórica e cultural do Brasil e que, até pouco tempo, não tinham a possibilidade de registrar oficialmente sua origem no cadastro eleitoral.
Um dos exemplos foi o da eleitora Mara Kulina. Durante o atendimento, ela atualizou seu cadastro eleitoral, inseriu a etnia e também alterou a informação de escolaridade, deixando de constar como analfabeta após aprender a ler e a escrever.
“Para mim foi muito importante colocar minha etnia no cadastro e também atualizar meus dados. Hoje eu já sei ler e escrever, e poder registrar isso e ser reconhecida como indígena me deixa muito feliz. É bom ver a Justiça Eleitoral vindo até a nossa comunidade para garantir que a gente também possa exercer nossos direitos”, destacou a eleitora Mara Kulina.
A presença da Justiça Eleitoral nas comunidades também ganha ainda mais relevância diante do calendário eleitoral. Os serviços podem ser solicitados até o dia 6 de maio, data do fechamento do cadastro eleitoral. O prazo, previsto na legislação, ocorre 150 dias antes das eleições e é fundamental para que a Justiça Eleitoral organize toda a logística necessária para a realização do pleito.




