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TikTok aposta em educação midiática para as Eleições 2026
Plano também tira candidatos do feed "Para Você" e reforça combate a redes coordenadas e uso irregular de IA
Vídeos para ajudar usuários a reconhecer conteúdos enganosos, mídia manipulada e outras formas de desinformação estão entre as principais apostas do TikTok para as Eleições Gerais de 2026. A plataforma prevê uma série de 20 conteúdos educativos produzidos em parceria com a Agência Lupa, além de uma nova versão do guia “TikTok e as Eleições”, elaborado com a Politize!.
Também estão previstos vídeos sobre integridade eleitoral, participação cívica e discurso de ódio. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de educação midiática, que inclui parcerias com organizações brasileiras especializadas no tema e em integridade eleitoral.
As medidas constam do plano de conformidade apresentado pela ByteDance Brasil, dona do TikTok, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento atende às novas exigências da Justiça Eleitoral para que as plataformas detalhem como pretendem prevenir e reduzir riscos ao processo eleitoral. O plano também muda a forma como candidatas e candidatos poderão circular pelo aplicativo, reforça o monitoramento de redes coordenadas e estabelece procedimentos específicos para conteúdos produzidos ou alterados com inteligência artificial.
A plataforma considera como principais riscos eleitorais conteúdos capazes de enganar o eleitor sobre a votação ou lançar dúvidas falsas sobre os resultados. A preocupação também alcança vídeos manipulados que reproduzam candidatos e figuras públicas, além de redes de contas organizadas para interferir artificialmente no debate político ou ocultar quem está por trás de determinada campanha de influência.
Candidatos ficam fora das recomendações
Uma das principais mudanças atinge diretamente o sistema de recomendação do TikTok. Contas oficiais de candidatas e candidatos identificadas a partir da relação fornecida pelo TSE não poderão ser recomendadas no feed Para Você, principal espaço de descoberta de conteúdos da plataforma.
Na prática, isso significa que os vídeos publicados por esses perfis não aparecerão aos usuários por meio do sistema que seleciona conteúdos com base em interesses e interações. As publicações também terão sua visibilidade reduzida nas buscas.
Ações contra violência política de gênero
O plano também amplia a colaboração com organizações brasileiras que atuam nas áreas de integridade eleitoral, educação midiática e formação cívica.
Parte desse trabalho será voltada ao combate à violência política de gênero nos ambientes digitais. A plataforma pretende usar essas parcerias para aperfeiçoar a identificação de comportamentos abusivos dirigidos a mulheres que participam da política.
A violência política contra mulheres está entre os riscos eleitorais previstos pela regulamentação do TSE e ganha atenção específica no documento apresentado pelo TikTok.
Redes coordenadas terão prioridade
Redes de comportamento inautêntico coordenado voltadas ao debate cívico brasileiro serão tratadas como prioridade durante o período eleitoral. Esse tipo de operação ocorre quando grupos de contas atuam de forma articulada para aparentar apoio espontâneo a determinado conteúdo, ampliar artificialmente uma narrativa ou esconder quem está por trás da ação.
Quando identificar uma rede desse tipo, o TikTok pretende analisar as contas envolvidas, seu alcance e as estratégias utilizadas. Casos confirmados que tenham como alvo o debate eleitoral brasileiro deverão ser comunicados ao TSE, desde que a divulgação não comprometa investigações ou medidas ainda em andamento.
Remoção antes mesmo da primeira visualização
Outra frente do plano busca ampliar a capacidade de detectar conteúdos problemáticos antes que eles ganhem circulação.
O TikTok acompanhará não apenas quantos vídeos foram removidos por violações relacionadas a integridade eleitoral, desinformação, mídia manipulada ou uso de inteligência artificial. Também medirá quantos desses conteúdos foram encontrados pela própria plataforma antes de qualquer denúncia feita por usuários.
Um dos indicadores será ainda mais específico. A empresa pretende registrar quantos vídeos foram removidos antes de receber uma única visualização.
Uso de IA terá monitoramento reforçado
A atenção sobre conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial será intensificada nos momentos mais sensíveis da eleição. O plano prevê combinar ferramentas automáticas de detecção, moderação humana e respostas a denúncias ou outros sinais identificados pela plataforma. Esses recursos deverão funcionar de forma contínua, 24 horas por dia, durante o período de vedação eleitoral, com prioridade para conteúdos relacionados às eleições.
A atenção será maior entre as 72 horas anteriores e as 24 horas posteriores à votação. Nesse intervalo, as regras eleitorais estabelecem restrições específicas para determinados conteúdos sintéticos que reproduzam imagem, voz ou características de candidatas, candidatos e figuras públicas.
As medidas não ficam restritas ao TikTok. O plano também contempla, quando aplicável, o CapCut e o Dola, serviços oferecidos por empresas do mesmo grupo econômico.
No CapCut, as salvaguardas se concentram principalmente no uso de inteligência artificial em conteúdos políticos e eleitorais. A plataforma prevê identificar recursos de IA, moderar modelos que possam ser usados nesse contexto e tentar impedir formas de contornar seus mecanismos de segurança.
No Dola, as regras buscam evitar que a ferramenta gere informações falsas sobre processos eleitorais ou conteúdos que imitem figuras públicas sem a devida identificação. O serviço também deverá bloquear materiais que possam facilitar operações de influência disfarçadas.
A propaganda política paga continua proibida
O TikTok também reafirma que não permite publicidade política paga no Brasil. Segundo o documento, a proibição é permanente e não se limita ao período eleitoral. Durante a campanha, a plataforma afirma que adotará medidas para identificar tentativas de driblar essa restrição. A publicidade política irregular está entre os riscos que serão acompanhados ao longo do processo eleitoral.
AN/JV/DB
Fonte: TSE