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Viralizou: é falso que urnas eletrônicas foram manipuladas irregularmente em Itapeva (SP)

Vídeos que circularam nas redes sociais descontextualizaram procedimento oficial da Justiça Eleitoral para preparação das urnas eletrônicas nas Eleições 2022

Viralizou: é falso que urnas eletrônicas foram manipuladas irregularmente em Itapeva (SP)

É falsa a informação de que urnas eletrônicas foram manipuladas irregularmente dentro do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção, do Mobiliário, Cimento, Cal, Gesso e Montagem Industrial de Itapeva (Sinticom), no interior de São Paulo, durante a preparação das Eleições Gerais de 2022.  

Conteúdos compartilhados nas redes sociais à época utilizaram imagens do procedimento oficial de carga e lacração das urnas eletrônicas para sugerir, sem qualquer prova, a ocorrência de irregularidades no processo eleitoral. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que as publicações continham desinformação e apresentavam fatos de forma gravemente descontextualizados, com potencial para induzir eleitoras e eleitores a acreditarem na existência de fraude eleitoral. 

Entenda o caso 

As publicações afirmavam que urnas eletrônicas estariam sendo manipuladas indevidamente nas instalações do Sinticom. Em vídeo divulgado no YouTube, a então candidata a deputada federal Carla Zambelli declarou que imagens mostrando a preparação de urnas no sindicato estavam circulando em grupos de WhatsApp. Na gravação, ela questionou por que os equipamentos se encontravam fora das dependências da Justiça Eleitoral e manifestou preocupação com a suposta falta de segurança do local. 
 
Outras publicações associaram a situação ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao então candidato à Presidência da República pelo partido, Luiz Inácio Lula da Silva, levando à falsa conclusão de que poderia haver fraude no processo eleitoral. 

O que realmente aconteceu? 

Não houve qualquer manipulação irregular das urnas eletrônicas. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) esclareceu que, desde 2014, o Cartório Eleitoral da 53ª Zona Eleitoral de Itapeva realiza os procedimentos de carga e lacração das urnas nas dependências do Sinticom em razão da falta de espaço físico no cartório eleitoral, localizado ao lado da entidade. Para as Eleições 2022, o imóvel foi regularmente requisitado pela Justiça Eleitoral. 
 
O TRE-SP informou ainda que os profissionais terceirizados que atuavam no local foram contratados por meio de licitação pública e desempenhavam atividades de apoio à preparação dos equipamentos utilizados nas eleições. As informações sobre os contratos estavam disponíveis para consulta pública. 
 
Assim, as imagens divulgadas nas redes sociais retratavam uma etapa oficial e rotineira da preparação das urnas eletrônicas para a votação. 

Como funciona a carga e a lacração das urnas? 

Antes de serem distribuídas às seções eleitorais, as urnas passam pelo procedimento de carga e lacração. Nessa etapa, são inseridos nos equipamentos os sistemas eleitorais, os dados das eleitoras e dos eleitores da respectiva seção e as informações das candidatas e dos candidatos. 
 
Após a conferência e a finalização dos procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral, as urnas são lacradas e ficam prontas para serem encaminhadas aos locais de votação. 
 
No caso de Itapeva, portanto, a presença dos equipamentos no sindicato não indicava qualquer interferência indevida no funcionamento das urnas ou nos votos registrados. O local estava sendo utilizado oficialmente pela Justiça Eleitoral para a preparação dos equipamentos. 

TSE reconheceu a prática de desinformação  

Ao julgar o caso, o Plenário do TSE concluiu, por unanimidade, que o conteúdo divulgado transmitia desinformação e comprometia a integridade do processo eleitoral.  

O Tribunal destacou ainda que o TRE-SP já havia publicado nota oficial esclarecendo os fatos antes da divulgação do vídeo. Segundo o relator do processo, ministro Benedito Gonçalves, foi disseminada uma suspeita infundada, sem que fossem apresentados os esclarecimentos fornecidos pela autoridade eleitoral competente. 
 
O TSE julgou procedente a representação da Coligação Brasil da Esperança, que sustentou a candidatura de Lula à Presidência pelo PT, aplicou multa de R$ 30 mil à responsável pela publicação do vídeo e determinou a remoção dos conteúdos considerados irregulares. A decisão ressaltou que as acusações contra a lisura das eleições não encontravam respaldo nos fatos e tinham potencial para afetar a confiança da população no processo eleitoral. Até 2 de outubro de 2022, o vídeo havia alcançado mais de 86 mil visualizações no YouTube.  

Leia a íntegra do acórdão na página de jurisprudência do TSE. 

Fique atento à desinformação 

O sistema eletrônico de votação brasileiro foi implantado nas Eleições de 1996 e, desde então, tornou-se referência internacional em segurança, transparência e rapidez na apuração dos resultados. Ao longo de quase três décadas de utilização, as urnas eletrônicas garantem o sigilo do voto, a integridade dos dados e a divulgação célere dos resultados eleitorais. 
 
Antes da informatização das eleições, a votação e a contagem dos votos eram realizadas manualmente, o que tornava o processo mais sujeito a erros humanos, atrasos na apuração e outras falhas capazes de comprometer a expressão da vontade do eleitorado. 
 
A confiabilidade do sistema eletrônico de votação resulta de constantes investimentos em tecnologia, inovação e aperfeiçoamento dos mecanismos de segurança. Além disso, o sistema é submetido a auditorias internas e externas, testes públicos de segurança e diversos mecanismos de fiscalização e transparência. Em quase 30 anos de utilização, nunca houve comprovação de fraude nas urnas eletrônicas. 

 

AN/GO/DB 
FONTE: TSE

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